Comportamento

Amizades na vida adulta: por que é tão difícil fazer amigos depois dos 30 e como mudar isso

Johana P. Carriel · outubro 17, 2026

Amizades na vida adulta nascem de encontros simples, como um café sem pressa com quem faz a gente rir. Imagem ilustrativa gerada por IA | Acervo Madame Johana

Você abre o celular numa sexta-feira à noite, rola a lista de contatos e percebe que não sabe para quem mandar mensagem. Não é que você não tenha amigos, é que eles estão ocupados, mudaram de cidade, tiveram filhos ou simplesmente foram ficando para trás, enquanto o grupo da faculdade virou um chat de aniversários e fazer amigos novos parece tão complicado quanto aprender um idioma do zero.

Se essa cena soa familiar, você está longe de ser a única pessoa a vivê-la. A solidão na vida adulta virou tema de relatórios internacionais de saúde, e a ciência tem mostrado que as amizades fazem muita diferença para o bem-estar, mas exigem mais intenção à medida que envelhecemos. Neste artigo, a Madame Johana explica por que isso acontece e reúne caminhos práticos para criar e manter amizades na vida adulta.

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Resposta rápida

Fazer amigos depois dos 30 é mais difícil porque a rotina deixa de oferecer convivência espontânea, já que trabalho, família e mudanças ocupam o tempo que antes era compartilhado na escola ou na faculdade. Um estudo da Universidade do Kansas estimou que são necessárias cerca de 50 horas de convivência para criar uma amizade casual e mais de 200 para uma amizade próxima, e a Organização Mundial da Saúde estima que uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão. O caminho para construir amizades na vida adulta passa por criar encontros repetidos, investir em atividades em grupo e cultivar as relações que já existem.

Solidão e isolamento: qual é a diferença

Antes de tudo, vale separar dois conceitos que costumam ser confundidos. A Organização Mundial da Saúde define solidão como o sentimento doloroso que surge da diferença entre as conexões que uma pessoa deseja e as que ela realmente tem, enquanto o isolamento social é uma condição objetiva, a falta de contatos sociais suficientes.

Duas amigas conversam e sorriem durante uma caminhada em um parque arborizado.
Uma caminhada ao ar livre, com conversa solta e tempo de sobra, lembra que estar junto é bem diferente de apenas estar perto. Imagem ilustrativa gerada por IA | Acervo Madame Johana

Na prática, é possível estar cercada de gente e se sentir sozinha, assim como viver sozinha sem se sentir solitária, porque morar só não é sinônimo de solidão. O que importa, quando o assunto é amizades na vida adulta, é se as relações que você tem atendem à sua necessidade de vínculo, escuta e pertencimento.

O que os números dizem sobre solidão no mundo e no Brasil

Em junho de 2025, a Comissão da OMS sobre Conexão Social publicou um relatório global com números que chamaram atenção: cerca de uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão, que a organização associa a mais de 871 mil mortes por ano, e pessoas solitárias têm cerca de duas vezes mais chance de desenvolver depressão.

Uma pesquisa da Gallup em parceria com a Meta, feita em 142 países entre junho de 2022 e fevereiro de 2023, encontrou que 24% da população mundial se sentia “muito” ou “razoavelmente” solitária e que jovens de 19 a 29 anos relatavam mais solidão do que pessoas acima de 65. No Brasil, segundo o mesmo levantamento, 15% das pessoas disseram se sentir muito ou razoavelmente solitárias, e 38%, um pouco solitárias.

O jeito de viver também mudou, e a PNAD Contínua do IBGE, divulgada em abril de 2026 e repercutida pela IstoÉ Dinheiro, mostra que 19,7% dos domicílios brasileiros tinham apenas um morador em 2025, contra 12,2% em 2012, sendo que o maior grupo de quem mora só tem entre 30 e 59 anos. Morar sozinha não é o mesmo que estar sozinha, mas essa mudança torna ainda mais importante cultivar amizades na vida adulta fora de casa.

Por que as amizades fazem tão bem

As relações sociais não são apenas agradáveis, elas aparecem de forma consistente em pesquisas sobre saúde. Uma meta-análise publicada em 2010 na PLOS Medicine, conduzida por Julianne Holt-Lunstad e colegas, reuniu 148 estudos com mais de 308 mil participantes e concluiu que pessoas com relações sociais mais fortes tinham 50% mais probabilidade de sobrevivência ao longo do período estudado.

O Surgeon General dos Estados Unidos, autoridade máxima de saúde pública do país, dedicou um alerta oficial ao tema e destaca que o isolamento social aumenta em 29% o risco de morte prematura.

Duas amigas idosas riem juntas enquanto tomam café ao ar livre.
As amizades cultivadas ao longo dos anos aparecem nas pesquisas como uma das chaves para envelhecer com mais saúde e alegria. Imagem ilustrativa gerada por IA | Acervo Madame Johana

Há ainda o famoso Estudo de Harvard sobre Desenvolvimento Adulto, que acompanha participantes desde 1938. Segundo o Harvard Gazette, o diretor do estudo, Robert Waldinger, resume um dos principais achados: as pessoas mais satisfeitas com seus relacionamentos aos 50 anos eram as mais saudáveis aos 80 (tradução livre). O estudo mostrou que os relacionamentos próximos, mais do que dinheiro ou fama, mantiveram os participantes felizes ao longo da vida, e Waldinger e Marc Schulz reuniram esses achados no livro Uma boa vida, uma leitura acessível para quem quer entender como os vínculos influenciam a saúde e a felicidade, assim como os livros sobre relacionamentos que a Madame Johana já indicou por aqui.

Por que fazer amigos fica mais difícil depois dos 30

Na escola e na faculdade, a amizade acontece quase sozinha, porque você vê as mesmas pessoas todos os dias, tem tempo livre e vive experiências parecidas. Já as amizades na vida adulta dependem justamente desses três ingredientes, que ficam escassos por alguns motivos:

  • A rotina deixa de criar encontros repetidos: trabalho remoto, deslocamentos longos e agendas lotadas reduzem a convivência espontânea.
  • As prioridades mudam: relacionamentos, filhos, carreira e cuidado com familiares ocupam o tempo que antes era dos amigos.
  • As pessoas se mudam: trocar de cidade, de emprego ou de fase da vida acaba espalhando os grupos.
  • O receio do primeiro convite: chamar alguém para sair pode dar medo de parecer carente ou de ouvir um não.

Os dados confirmam essa curva: um estudo publicado em 2016 na Royal Society Open Science, com registros de chamadas de 3 milhões de usuários de celular, observou que o número de contatos frequentes atinge o pico por volta dos 25 anos e diminui a partir daí, segundo a Universidade Aalto, que conduziu a pesquisa com a Universidade de Oxford. Como os dados são de 2007 e de um país europeu, eles servem como indicação, e não como retrato exato da realidade brasileira.

Quanto tempo leva para fazer um amigo

Uma das pesquisas mais citadas sobre o tema foi feita por Jeffrey Hall, da Universidade do Kansas, e publicada em 2018 no Journal of Social and Personal Relationships, estimando quanto tempo de convivência é necessário para que uma relação mude de nível:

  • Amizade casual: entre 40 e 60 horas juntos;
  • Amizade: entre 80 e 100 horas;
  • Amizade próxima: mais de 200 horas.

Outro achado importante é que o tempo que mais conta é o de convivência social, como conversar e fazer atividades juntos, enquanto as horas passadas apenas trabalhando lado a lado contam bem menos.

Na avaliação da Madame Johana, esse estudo é libertador, porque mostra que a dificuldade de construir amizades na vida adulta não é um defeito pessoal, e sim uma questão de tempo e oportunidade. Amizade se constrói com repetição, e repetição pode ser planejada.

Oito caminhos para fazer novas amizades na vida adulta

1. Escolha atividades que se repetem

Um curso, um clube de leitura, um grupo de corrida, que pede pouco além de um bom tênis de corrida, ou uma aula de dança semanal criam o que as amizades na vida adulta mais precisam, que são encontros regulares com as mesmas pessoas. Eventos únicos são ótimos, mas raramente geram vínculos.

2. Siga seus interesses

É mais fácil se aproximar de quem gosta das mesmas coisas que você. Cerâmica, fotografia, jardinagem, bordado, trilhas e jogos de tabuleiro são bons exemplos, porque o interesse em comum dá assunto e tira o peso da conversa. Para quem quer experimentar em casa antes de procurar uma turma, um kit de cerâmica para iniciantes ou um kit de bordado com bastidor ajudam a descobrir se o hobby combina com você, e uma câmera instantânea Instax Mini 12 transforma qualquer encontro em fotos para guardar e presentear.

Duas pessoas modelam juntas uma tigela de argila em um ateliê de cerâmica.
Um hobby compartilhado, como a cerâmica, dá assunto, tira o peso do primeiro contato e transforma desconhecidas em parceiras de ateliê. Imagem ilustrativa gerada por IA | Acervo Madame Johana

3. Faça trabalho voluntário

A própria OMS sugere participar de grupos locais ou fazer voluntariado como forma de fortalecer a conexão social, e o voluntariado ainda aproxima pessoas com valores parecidos e dá sentido à rotina.

4. Dê o primeiro passo (e o segundo)

Convidar alguém para um café depois de uma aula pode parecer arriscado, mas costuma ser justamente o gesto que transforma um conhecido em amigo. Se o primeiro convite não der certo por falta de agenda, proponha outra data, porque persistência gentil não é carência, é interesse. E, se a conversa travar nos primeiros encontros, um jogo de cartas como o TableTopics Amizade, cheio de perguntas para conhecer melhor o outro, ajuda a quebrar o gelo.

5. Transforme colegas em amigos

O estudo de Hall mostra que horas de trabalho contam pouco, mas um almoço, um happy hour ou uma conversa fora do expediente podem mudar a natureza da relação.

6. Use a tecnologia a seu favor

Aplicativos e grupos on-line de interesses em comum podem ser uma porta de entrada para amizades na vida adulta, especialmente para quem mudou de cidade, e o ideal é que o contato digital leve, sempre que possível, a encontros presenciais em locais públicos e seguros.

7. Esteja presente de verdade

Entre as recomendações da OMS para fortalecer vínculos está guardar o celular durante as conversas e, por mais óbvio que pareça, a atenção plena é um dos gestos que mais aproximam as pessoas.

8. Comece pela vizinhança

Cumprimentar vizinhos também está na lista de sugestões da OMS, e frequentar a mesma padaria ou conversar com quem você encontra no dia a dia cria familiaridade, que é o primeiro degrau da amizade.

Como manter as amizades que você já tem

Fazer amigos novos é importante, mas cuidar dos antigos costuma ser o caminho mais rápido para se sentir menos só, e algumas práticas simples ajudam a manter as amizades na vida adulta:

  • Crie rituais: um café mensal, uma chamada de vídeo quinzenal ou um passeio anual, anotados num planner 2027, protegem a amizade da correria.
  • Mande a mensagem: se você lembrou de alguém, avise, porque “vi isso e pensei em você” é uma das frases mais poderosas das amizades na vida adulta.
  • Retome contatos antigos: a amizade que esfriou por falta de tempo muitas vezes pode ser reacendida com um convite despretensioso.
  • Aceite fases diferentes: amigos com filhos pequenos ou rotinas intensas podem ter menos disponibilidade, e adaptar o formato, com um encontro em casa ou uma caminhada curta, mantém o laço.
  • Esteja disponível nos momentos difíceis: a OMS recomenda procurar o amigo que pode estar passando por dificuldades, e às vezes uma mensagem é tudo de que alguém precisa.
  • Cuide da reciprocidade: amizade boa faz bem aos dois lados, e conhecer os sinais de manipulação emocional ajuda a perceber quando uma relação deixou de fazer bem.

Para encontros em casa, jogos como Codenames e Sintonia, que rendem risadas e funcionam bem em grupo, são um convite fácil à conversa.

Exercício prático: o mapa das suas relações

Pegue uma caderneta pautada e uma caneta e desenhe três círculos, um dentro do outro. No centro, escreva os nomes das pessoas com quem você pode contar em qualquer situação; no círculo do meio, as pessoas de quem gosta, mas com quem tem pouco contato; e no círculo externo, os conhecidos com quem gostaria de ter mais proximidade. Depois, escolha um nome do círculo do meio e outro do círculo externo e envie uma mensagem ainda esta semana.

Caderno com três círculos concêntricos e bonecos de madeira representando o mapa das relações.
Colocar as pessoas queridas no papel ajuda a enxergar quem está perto, quem se afastou e para quem vale mandar uma mensagem ainda hoje. Imagem ilustrativa gerada por IA | Acervo Madame Johana

Quando a solidão pede ajuda

Sentir-se só de vez em quando faz parte da vida, mas, quando a solidão se torna constante e vem acompanhada de tristeza persistente, alterações no sono ou no apetite, perda de interesse pelas atividades ou dificuldade de sair de casa, vale procurar apoio de um psicólogo ou de um serviço de saúde. A OMS lembra que pessoas solitárias têm maior risco de depressão, e buscar ajuda é uma forma de cuidado, não de fraqueza.

No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia e sem custo de ligação, além de atendimento por chat e por e-mail. Também é possível buscar orientação na Unidade Básica de Saúde do seu bairro.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui o acompanhamento de psicólogos ou outros profissionais de saúde.

Perguntas frequentes sobre amizades na vida adulta

Por que é tão difícil fazer amigos depois dos 30?

Porque a vida adulta reduz os três ingredientes que facilitam a amizade, que são encontros frequentes, tempo livre e experiências compartilhadas. Trabalho, família e mudanças de cidade ocupam o espaço que antes era da convivência espontânea, e um estudo com dados de celular mostrou que o número de contatos frequentes atinge o pico por volta dos 25 anos. A boa notícia é que as amizades na vida adulta podem nascer de encontros criados de forma intencional.

Quantas horas leva para fazer um amigo?

Segundo pesquisa de Jeffrey Hall, da Universidade do Kansas, publicada em 2018, uma amizade casual exige de 40 a 60 horas de convivência, uma amizade, de 80 a 100 horas, e uma amizade próxima, mais de 200 horas. O tempo que mais conta é o de convivência social, enquanto as horas passadas apenas trabalhando lado a lado têm peso bem menor.

Qual a diferença entre solidão e isolamento social?

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a solidão é um sentimento, a dor de perceber que as conexões que você tem não correspondem às que gostaria de ter, enquanto o isolamento social é uma condição objetiva, ter poucos contatos sociais. Por isso, é possível estar rodeada de pessoas e se sentir sozinha, ou morar só e se sentir bem conectada.

A solidão faz mal à saúde?

As pesquisas indicam que sim. A OMS associa a solidão a mais de 871 mil mortes por ano no mundo e aponta que pessoas solitárias têm cerca de duas vezes mais chance de desenvolver depressão, e uma meta-análise com 148 estudos mostrou que relações sociais mais fortes estão associadas a 50% mais probabilidade de sobrevivência. Cuidar das amizades, portanto, também é cuidar da saúde.

Como fazer amigos em uma cidade nova?

Comece por atividades que se repetem toda semana, como cursos, grupos de corrida, clubes de leitura ou trabalho voluntário. Frequente os mesmos lugares do bairro, cumprimente vizinhos e use grupos on-line de interesses em comum como porta de entrada, levando o contato para encontros presenciais em locais públicos, e tenha paciência, porque amizades na vida adulta exigem tempo e repetição.

Como retomar uma amizade que esfriou?

Envie uma mensagem simples e sem cobranças, como “lembrei de você hoje, como você está?”, e, se a conversa fluir, proponha um encontro curto e fácil de encaixar na agenda, como um café. Evite focar no tempo que passou sem contato, já que muitas amizades esfriam por falta de oportunidade, e não por falta de afeto.

Quando a solidão é motivo para procurar ajuda?

Quando ela se torna constante e vem acompanhada de tristeza persistente, mudanças no sono ou no apetite, perda de interesse pelas atividades ou dificuldade de sair de casa. Nesses casos, vale procurar um psicólogo ou a Unidade Básica de Saúde, e o CVV oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia, além de chat e e-mail.

Conclusão: amizade também é escolha

Durante muito tempo, as amizades pareceram algo que simplesmente acontecia, mas as amizades na vida adulta passam a depender de escolhas, como o convite que você faz, a aula em que se inscreve e a mensagem que decide mandar. Isso pode parecer cansativo à primeira vista, mas também é uma boa notícia, porque significa que está ao seu alcance mudar o cenário, um encontro de cada vez.

Que tal começar hoje? Escolha uma pessoa para quem mandar mensagem e uma atividade para experimentar neste mês e, se quiser, conte nos comentários como você cuida das suas amizades na vida adulta. A Madame Johana continua por aqui, com mais conteúdos sobre comportamento, relacionamentos e literatura.

A Madame pergunta

Para quem você mandaria mensagem hoje se não tivesse medo de parecer carente?

Referências

  • Organização Mundial da Saúde (OMS). “Social connection linked to improved health and reduced risk of early death”, 30 jun. 2025. Acessar
  • Gallup. “The Global State of Social Connections” (Gallup e Meta), 2023. Acessar
  • IstoÉ Dinheiro. “Cresce número de brasileiros que vivem sozinhos, revela IBGE”, 17 abr. 2026 (dados da PNAD Contínua 2025). Acessar
  • PLOS Medicine. HOLT-LUNSTAD, J.; SMITH, T. B.; LAYTON, J. B. “Social Relationships and Mortality Risk: A Meta-analytic Review”, 2010. Acessar
  • U.S. Department of Health and Human Services, Office of the Surgeon General. “Social Connection”. Acessar
  • Harvard Gazette. “Good genes are nice, but joy is better” (Liz Mineo), 11 abr. 2017. Acessar
  • Aalto University. “New study shows how age and sex affect the social activity”, 8 abr. 2016. Acessar
  • University of Kansas. “How to make friends? Study reveals how many hours it takes”, mar. 2018. Acessar
  • Centro de Valorização da Vida (CVV). Canais de atendimento. Acessar

Nota editorial

Este conteúdo foi elaborado com base em fontes institucionais, científicas e jornalísticas consultadas em outubro de 2026, tem caráter informativo e não substitui o acompanhamento de profissionais de saúde. As recomendações de produtos seguem critérios editoriais independentes, e imagens ilustrativas geradas com inteligência artificial são identificadas como tal.